A Homeopatia no tratamento do Medo

Que é o Medo?

O medo é uma ilusão, que se traduz num estado de alerta, temporário ou permanente, em função daquilo que percecionamos como sendo a realidade.

Em boa verdade, o medo pode ajudar em situações pontuais, mas, quando permanente, ele não serve para nada, pelo contrário, afeta a nossa vitalidade e perturba o equilíbrio do Eixo PNEI (Psico-Neuro-Endócrino-Imunológico), elevando os níveis de adrenalina e de cortisol no sangue, resultando num total desequilíbrio hormonal que, consequentemente, fragiliza o Sistema Imunitário e favorece o aparecimento de todo o tipo de patologias.

O medo oprime-nos, impede-nos de raciocinar e de reagir às situações do momento, baixa a vibração do nosso campo energético e, por esta razão, não nos protege absolutamente em nada e tão pouco faz desaparecer a sua causa.

A História da humanidade é feita de subjugação e de medo. O medo sempre foi utilizado como forma de manipulação porque ele aumenta a vulnerabilidade de quem a ele é submetido. Quando estamos vulneráveis, aceitamos qualquer coisa e as decisões que tomamos são, de um modo geral irracionais e inconscientes. O medo paralisa-nos e impede-nos de lutar até pela nossa própria vida e liberdade, porque não vemos nada mais para além desse monstro que se agiganta diante dos nossos olhos.

O medo opõe-se ao amor, o primeiro contrai, reduz-nos a nada, anula-nos e aniquila-nos, o segundo expande, edifica, fortalece, une e cria laços.

O mal e o bem sempre existiram e sempre continuarão a existir enquanto houver vida na Terra. O mundo rege-se por essa dualidade. Mas, enquanto o bem é sincero, desinteressado e se vê, não nas palavras, mas nos atos, o mal é subtil, utiliza subterfúgios escusos e é sempre praticado em defesa de um bem maior. Ao longo dos tempos foi, repetidamente, utilizado como desculpa para salvar a humanidade, mas o resultado mostrou ser o contrário, redundando na escravatura e extermínio da própria humanidade. Infelizmente, é condição humana não aprender com a História e acabamos por entrar num ciclo, vicioso e sem fim, de repetidos erros.

No entanto e apesar de não parecer é, unicamente, o medo que nos impele para o mal. Reagimos com violência, somente, quando nos sentimos ameaçados, seja fisicamente, seja pelo medo da perda do poder que se pensa ter. Se o medo, por si só, já é destruidor, aliado ao preconceito, é capaz de gerar uma força muito mais devastadora que qualquer arma nuclear.

Apesar da sua constante presença na história da Humanidade, nunca o mundo inteiro assistiu a uma situação de tão grande medo, e tão generalizado, como aquele que vivemos atualmente e, a pior das consequências desse medo generalizado, é a fragmentação da sociedade e destruição do tecido social.

Por que reagimos de formas diferentes a uma mesma situação?

A resposta é porque percecionamos a realidade de formas diferentes. Na situação atual, por exemplo, há quem a percecione como uma necessidade de defender a sua autoridade e os seus mais diversos interesses e tipos de poder, disso depende a sua sobrevivência; há quem percecione a realidade como uma ameaça à sua integridade física e, há ainda, quem a percecione como uma ameaça aos seus direitos e liberdades como consequência das medidas tomadas em função das perceções anteriores e de quem detém o poder.

A forma como percecionamos a realidade faz-nos reagir de um determinado modo, mas, mais importante do que isso, aquilo que, verdadeiramente, nos individualiza é a nossa experiência peculiar nessa situação, podemos todos sentir medo, mas a maneira como cada um vivencia esse medo é única.

É disto que trata a Homeopatia, da individualização. A perceção da realidade pode até ser semelhante, mas cada um terá uma experiência própria que o distingue de todos os outros seres.

São vários os remédios homeopáticos indicados em situações de medo, consoante a experiência individual de cada indivíduo, vejamos os seguintes exemplos:

  • Aconitum napellus: Experimenta um medo súbito, muito agudo e violento que permanece por um período curto e que, apesar da violência, se dissipa rapidamente. A mente vê-se muito afetada por fatores emocionais, como o medo, choque. O paciente permanece muito agitado e sob uma grande tensão emocional e nervosa. O medo é tão intenso que o indivíduo se torna frenético, grita, geme, desespera-se. O coração e a circulação ficam seriamente afetados, produzindo congestão forte na cabeça  e no peito.

  • Arsenicum album: é um remédio de ação mais profunda, mentalmente, o paciente está extremamente nervoso, inquieto e ansioso. Evidencia um medo agonizante da morte, com desespero de recuperação, medo da perda financeira, medo e desconfiança em relação aos outros, não pode confiar em ninguém, não quer encontrar-se com ninguém, imagina a casa cheia de ladrões, muita inquietação com angústia profunda que o faz andar de um lado para o outro. A ansiedade tem um agravamento, especialmente, durante a noite.

  • Calcarea carbonica: Manifesta muitos medos, da doença, da morte, de infeções, de agulhas, de hospitais e de médicos, da miséria, de desastres. Medo extremo de relatos de crueldades e de ser observado. Apresenta-se taciturno, indolente, assusta-se com tudo o que vê, preocupa-se com tudo.

  • Stramonium: é um dos principais remédios para terrores, alucinações, terrores noturnos, grita de medo, não conhece ninguém, medo do escuro e do desconhecido, procura agarrar-se a alguém, visões de fantasmas, medo de túneis e espaços fechados, o sistema nervoso está afetado, produzindo tremores, convulsões e espasmos que agravam pela noite.

Estes são apenas alguns exemplos de como a perceção da realidade e a experiência do medo varia de indivíduo para indivíduo, por essa razão, o remédio tem que ser diferente e eleito em função da sintomatologia individual de cada um.

Ao longo das nossas vidas, surgem inúmeras situações, muitas delas de difícil resolução e, tantas vezes independentes da nossa vontade. As situações não as podemos mudar, mas podemos mudar a forma como as encaramos e como as percecionamos, desta mudança, resultará uma reação adequada e mais ajustada à dimensão da situação, maior será o foco e a capacidade de resolução.

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