O Perigo da Homeopatia

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No §2 do Organon da Arte de Curar, Samuel Hahnemann considerado o pai da Homeopatia, refere que «o objetivo ideal da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde ou a remoção e total destruição da doença em toda a sua extensão, através do caminho mais curto, seguro e menos prejudicial (…)»

Ao longo de mais de dois séculos, muito se tem especulado no que respeita à Homeopatia.

Como em tudo, ou quase tudo o que o Homem não consegue explicar, a questão torna-se polémica e as opiniões dividem-se. Uns tornam-se adeptos e defensores da sua prática, outros rejeitam-na. Não vem mal ao mundo por este facto, é saudável que existam opiniões contrárias, da discussão nasce a Luz!

O problema é que para que essa discussão traga benefícios à Humanidade, tem que haver um conhecimento profundo acerca do que se discute e, nessa matéria, estamos mal, não há! Cada qual opina segundo o seu parecer.

Ora, voltando ao início do nosso texto, no parágrafo 2 do Organon, Hahnemann define a cura, explicando que para que assim se possa chamar, o restabelecimento do paciente tem que ser rápido, suave e duradouro, e a doença tem que ser removida em toda a sua extensão, o que significa observar os sintomas físicos, peculiares, mentais e emocionais, ou seja, a globalidade sintomática do doente. Se isto não acontecer, não há cura.

Em 1810, Hahnemann, publica a 1ª Edição do Organon Da Medicina Racional, que viria a designar-se Organon da Arte de Curar, nas seis Edições seguintes. Porquê a alteração do Título? Porque, na verdade, o médico apercebeu-se de que curar é uma arte em que cada paciente tem que ser visto como uma peça única que terá que ser trabalhada em função da sua maleabilidade, sensibilidade ou robustez, exigindo, portanto, técnicas de lapidação diversificadas.

Segundo Hahnemann, a arte de curar assenta em três domínios:

  • O médico homeopata tem que conhecer a doença e saber o que é preciso curar no paciente;
  • O médico homeopático tem que conhecer a patogenesia dos remédios, ou seja, ter um profundo conhecimento da Matéria Médica Homeopática;
  • O médico Homeopata tem que saber como efetuar o tratamento, o que significa, que potências do remédio utilizar e como as utilizar.

Por aqui se vê que a Medicina Homeopática, na sua verdadeira filosofia e de acordo com o seu autor, é muito mais do que uma simples prescrição aleatória e sucessiva de remédios.

Na verdade, a Homeopatia é uma das medicinas mais holísticas, que mais respeita a individualidade e, como qualquer medicina ou ciência, exige muito estudo e dedicação, não basta um simples curso de fim de semana para ficarmos a saber homeopatia, poderia afirmar, sem grande margem de erro, que uma vida não será suficiente para abarcar todo o conhecimento que esta medicina exige.

Contudo, dados os casos incontáveis de sucesso, a fácil acessibilidade e a constante tendência, nos tempos que correm, para a automedicação, a homeopatia tornou-se numa prática diária e crescente de solução para todos os males. Surgiram remédios para todas as doenças, seja tosse qualquer que seja o tipo, diarreias, dentição infantil, etc. Basta ir à Farmácia ou à Ervanária e lá encontraremos uma panóplia de remédios homeopáticos para todos os gostos e situações. O que se passa é que foi desrespeitado o princípio da Homeopatia, começámos a tratar as doenças, à semelhança da alopatia e, uma vez mais, deixamos o doente de fora, é caso para perguntar, será que, realmente, ele faz falta ou nos interessa para alguma coisa?

O facto de se tratar de algo considerado natural, para a generalidade das pessoas, é sinónimo de não fazer mal, mas o uso indiscriminado e aleatório de substâncias homeopáticas pode, na verdade, prejudicar o organismo.

Em Homeopatia utilizam-se diversos tipos de substâncias, minerais, vegetais, animais, nosodes, cada uma delas tem o poder de, no indivíduo são, produzir um conjunto de sintomas, utilizá-las de forma repetida, como quem deixa derreter um caramelo na boca, sem conhecimento do que se está a fazer, pode produzir alterações consideráveis ao nível do nosso DNA.

De que modo? Já muito se tem especulado, como já referimos, acerca da provável justificação da Homeopatia, uns defendem a memória da água, outros consideram que é tudo uma questão energética, mas, o conhecimento do Genoma Humano e a forma como os nossos genes estão sequenciados veio permitir uma explicação mais credível. Na verdade, as substâncias homeopáticas conseguem, porque estão diluídas em água e não contêm moléculas, penetrar facilmente através da membrana celular, atingir o núcleo das células e alterar a expressão dos milhares de genes existentes em cada uma das nossas células.

É por isso que a Homeopatia cura as doenças, mesmo as crónicas, tantas vezes consideradas incuráveis pela medicina convencional, e se vêm aparecer os milagres.

A Homeopatia repara a sequência de genes que foi previamente alterada ou cuja sequência se perdeu, inibindo a produção de aminoácidos indispensáveis à formação de proteínas, sem as quais adoecemos e morremos.

Mas, atenção, como em qualquer medicina, é preciso ter conhecimento. Parafraseando Paracelso, Nada é veneno, tudo é veneno, depende tão somente da dose.

Cabe ao especialista, porque estudou para isso e é a sua missão, fazer a seleção do remédio certo e saber exatamente como o paciente o deve tomar.

Em conclusão, o único perigo da Homeopatia é, à semelhança de qualquer outra medicina, o seu uso inapropriado e aleatório.

 

Drª. Georgina Fonseca M.D. MSc

MSc Medicina Homeopática, Naturopatia

 

One thought on “O Perigo da Homeopatia


  1. Boa tarde

    gostei imenso dos artigos que tenho lido , tenho um filho jovem adulto diagnosticado com Trombocipotenia imune , ficaria muito grata se publicassem artigos sobre a homeopatia e este problema.

    catarina spencer

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